Resenha

Resenha Do Livro || Jonas Vai Morrer

Olá Nossos Devanienses (E Jonas)!

Devo agradecer pela milésima vez à Chiado pela oportunidade de ler este livro. É delicioso. O mal da maioria dos livros da Chiado é que um é mais maravilhoso do que o outro.

Neste caso específico, dá vontade de sublinhar o livro por inteiro. Se o leitor estiver atento, tem frases magníficas.

 

Confesso que este foi o livro da Chiado que mais escrivinhei. Rodeei e sublinhei de cores diferentes. Fiz uns apontamentos de vocabulários que não conhecia. Além de ser uma aventura recheada, é uma aprendizagem linguistíca. Visto que o autor tem um vocabulário muito rico e brinca com ele. Tipíco dum bom brasileiro.

O próprio escritor brinca connosco. Diz que Jonas vai morrer, sem se quer nos apresentar antes. Dá isso como um dado adquirido e depois lança-nos o seguinte “osso” para nos entreter:

 

E o leitor descarta automaticamente estas mortes. Este escritor sabe usar o dom da palavra e levar-nos pelo caminho que ele quer. Diz-nos logo no título que o sujeito vai morrer. Depois diz-nos do que ele não vai morrer. E assim vai. Agora eu questiono: Era suposto Jonas não morrer? Caso seja suposto, quer dizer que ele não é de todo humano. Visto que os humanos morrem. É um dado adquirido.

Infelizmente, ninguém fica aqui para semente. Athayde já daqui brinca com o leitor. Nós temos de morrer a uma dada altura. É quase banal e todos morremos.  Porém, Athayde coloca as coisas como se fosse algo surpreendente. Depois diz que Jonas não vai morrer disto, disto e daquilo. Podem descartar. O leitor obdiente descarta logo. Questiona-se a cada passo e a cada página quem é Jonas e de quê que ele vai morrer.

Eu digo-vos: vai morrer de estar vivo. Como todos nós.

 

 

Faz um jogo de palavras muito bonito. Isto é um livro! Se não for para brincar com a nossa mente, mostrar-nos um Mundo à parte, para nos dar curiosidade, para quê que serve um livro? Para nada! O propósito do livro é fascinar-nos. Até com coisas banais.

Infelizmente, a morte é banal, pois não passamos de mortais. Logo se alguém nos chama à atençao com isso, é génio literário. É alguém que tem um dom e uma arte que devem ser partilhados. Dar intusiasmo com algo banalíssimo é uma arte.

Amei os pormenores das páginas a preto. O próprio material, nota-se que duma qualidade excepcional. Acho que é o primeiro que tem qualidade de topo. O toque, o relevo, a grossura são excelentes. É um trabalho demasiado perfeito. Digno das letras imprimidas nele.

 

 

Não é à toa que ganhou o prémio de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. Isso sim, não é banal. Desde que se paga no livro, o leitor dá autorização de que o escritor entre na sua mente e Athayde faz isso muito bem.

Curioso? Podes adquirir a obra  por apenas doze euros e comprovares por ti tudo isto.

É livro que deve ser lido. É livro que deve ser aconselhado aos amigos, familiares, conhecidos, desconhecidos e até aos inimigos. É livro que deve ser lido com atenção porque tem bastantes pormenores. Como eu disse a uma colega minha, tem frases tão magníficas que dariam para encher um pote. Sabem aqueles potes onde se colocam os pedaços de folhas com frases? Esses mesmos.

Beijinhos

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